sexta-feira, 10 de abril de 2020

SEGURO HABITACIONAL- O ASSUNTO JÁ ESTÁ NO STF


STF marca para abril caso que pode impactar em R$ 300 bi fundo da Caixa. 

Caso trata de indenizações de seguro habitacional e do ingresso da Caixa nas mais de 68 mil ações em curso.

Dentre as discussões bilionárias que tramitam no Supremo Tribunal Federal (STF), um recurso extraordinário que trata sobre indenizações de seguro habitacional pode provocar impacto de até R$ 300 bilhões para um fundo gerido pela Caixa Econômica Federal.

A apreciação do tema é aguardada por seguradoras, pela União e por milhares de segurados lesados que pleiteiam indenização. Com a indefinição, a situação do fundo, que acumula déficit há anos, vem se agravando. O presidente da Corte, ministro Dias Toffoli, agendou o julgamento do tema para 15 de abril.

O processo tem repercussão geral reconhecida e envolve milhares de processos pelo país, cifras astronômicas e discute, concretamente, a competência da Justiça Federal para julgar casos de indenizações do Sistema Financeiro Habitacional (SFH). A questão de fundo versa sobre a responsabilidade da Caixa de arcar com os pagamentos dos seguros habitacionais.

O RE 827.996, cuja relatoria é do ministro Gilmar Mendes, interessa diretamente à Caixa porque a discussão sobre competência afeta a participação dos processos por parte da instituição. Em 2018 havia mais de 68 mil ações, propostas por cerca 681 mil mutuários, ex-mutuários, os sucessores deles ou pretensos mutuários, com um risco para o Fundo de Compensação de Variações Salariais (FCVS), gerido pela Caixa, de aproximadamente R$ 13 bilhões.

Em fevereiro do ano passado, Gilmar Mendes negou a suspensão nacional dos casos sob o argumento de que já havia liberado o processo para julgamento em plenário.

Tendo em vista o tamanho do processo, a considerar número de pessoas e valores envolvidos, o caso é mais um dos que tem atenção redobrada por parte do Ministério da Economia. A pasta enviou, com exclusividade, ao JOTA lista de ações monitoradas em tramitação no STF com potencial de impacto nas contas públicas.
Embora se trate de seguro público de responsabilidade do FCVS, as principais seguradoras do país figuram como rés nas demandas. São elas que fazem a intermediação dos seguros e emitem as apólices aos mutuários. No caso concreto, por exemplo, a Sul América foi a empresa que levou o tema ao STF.

A Caixa defende que tem, por força de lei, a obrigação de ingressar e se manifestar em ações judiciais que discutam indenização em razão de cobertura pelo seguro habitacional público do SFH. De acordo com informações da própria Caixa, das 68 mil ações judiciais que pedem indenização do tipo, apenas 15 mil tramitam na Justiça Federal.

O recurso pretende que a Corte reconheça que a competência para processar tais feitos é da Justiça Federal. Hoje, vigora a decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ) que entendeu pela competência da Justiça Estadual. Com isso, a Caixa não pode se manifestar nos processos — qualquer caso em que se reconheça o interesse da Caixa deve ser automaticamente enviado à Justiça Federal, que é quem processa questões referentes à empresa pública.
O problema é que, quando condenadas, as seguradoras ingressam com ação de ressarcimento contra a Caixa, e, se vencem a ação, o banco acaba tendo de pagar uma quantia vultosa sem sequer ter podido se defender no processo original. A dinâmica mobiliza o Judiciário, leva tempo e dinheiro.

O Tesouro Nacional também já se manifestou sobre o tema. Em parecer, afirmou que, “à vista da crescente massa de ações judiciais envolvendo o extinto SH/SFH, as quais poderão ocasionar um enorme déficit para o já deficitário Fundo de Compensação das Variações Salariais — FCVS e, consequentemente para a União, bem como o caráter público do referido Fundo, ao longo dos últimos anos, foram adotadas medidas legais visando a assunção da defesa judicial do SH/SFH pela CAIXA ou a União. Entretanto, à revelia da legislação ainda existem setores do Judiciário que resistem em transferir os processos para a esfera federal.”

CASO CONCRETO
No caso concreto, uma associação de moradores do Paraná colocou apenas a Sul América no polo passivo da ação. Como a apólice é emitida pelas seguradoras, os interessados têm a execução do título mais rápida quando ingressam diretamente contra as empresas privadas. A discussão de competência faz com que demore mais para que o processo chegue ao fim.

No STJ, a decisão diz que “o ingresso da CEF na lide somente será possível a partir do momento em que a instituição financeira provar documentalmente o seu interesse jurídico, mediante demonstração não apenas da existência de apólice pública, mas também do comprometimento do FCVS, com risco efetivo de exaurimento da reserva técnica do Fundo de Equalização de Sinistralidade da Apólice – FESA”.
De início, a associação argumenta que a seguradora não tem legitimidade para defender direito alheio, ou seja, a suposta existência de interesse jurídico da Caixa Econômica Federal em ingressar nas ações cujo objeto é a cobertura assegurada pela apólice do seguro habitacional do SFH. Além disso, alega que o caso é de legislação infraconstitucional, o que é de competência do STJ.

“O entendimento manifestado pelo STJ deixa muito à casuística uma questão que, ao meu ver, possui natureza constitucional, qual seja, a existência de interesse jurídico a justificar a intervenção da CEF nos feitos deste tipo e, por conseguinte, a definição da justiça competente para julgar essas demandas”, disse o relator, Gilmar Mendes, quando da análise da repercussão geral do tema.

IMPACTO BILIONÁRIO
Segundo estudo da Confederação Nacional das Empresas de Seguros Gerais, Previdência Privada e Vida, Saúde Suplementar e Capitalização (CNSeg), caso os contratos celebrados no âmbito do seguro habitacional do SFH sejam julgados perante a Justiça Estadual, o impacto financeiro sobre o FCVS pode alcançar a estratosférica quantia de R$ 301,8 bilhões.

Dessa forma, a lesão ao Tesouro Nacional, o responsável em última análise pelo pagamento das coberturas do seguro, por intermédio do aporte de recursos públicos no FCVS, seria imensa. No fim de 2018, o Patrimônio Líquido do FCVS apresentou saldo negativo de R$ 111,1 bilhões.
Também existe o risco de natureza social, uma vez que a insegurança jurídica afeta milhares de casos com tratamentos diferentes tramitando pelo país e que dizem respeito a problemas de construção de imóveis, por exemplo. Além disso, já foram constatados indícios de existência de fraudes em demandas relativas ao seguro habitacional público.

A Caixa deseja se manifestar nas ações pelo risco de corrosão do fundo público. Para as seguradoras, é interessante que o processo tramite na Justiça Federal porque a Caixa já poderia pagar, com o recurso do fundo que ela administra, as indenizações aos mutuários diretamente.

QUESTÃO SOCIAL
O caso é tido como um vespeiro porque a associação de moradores atravessa peças argumentando que os danos que suportam são imensos. A Federação das Associações de Moradores de Núcleos de Cohab e Similares do Estado de Pernambuco (Femocohab-PE), aceita como amicus curiae, por exemplo, levou à Corte fotografias do Conjunto Habitacional Muribeca em estado de ruína por vício construtivo.

De acordo com a entidade, a preocupação é que as ações da Justiça estadual regridam e sejam anuladas. “É um absurdo jurídico que desconsidera o caos social vivido por humildes brasileiros, vítimas continuadas das distorções do sistema de construções governamentais destinados à população pobre. O SFH produziu milhares de casas e prédios residenciais mambembes, instáveis, com risco alto de desabamentos e, portanto, de perda de vidas, tudo confirmado em laudos judiciais”, aponta.

No conjunto habitacional citado, a Femocohab-PE afirma que mais de 2 mil famílias, cerca de 6 mil pessoas, foram removidas há 11 anos e não tiveram solução. A entidade critica ainda o programa habitacional. “O Relatório do Tribunal de Contas da União no Programa Minha Casa Minha Vida, em 2015, confirmou que 56,4% das obras apresentam vícios de construção, o que deveria ser inadmissível.”
Em resposta, a Sul América rebate dizendo que os pontos não têm “qualquer relação com o objeto do RE”, além de serem “imprestáveis aos autos” porque não se estaria a discutir “suposta cobertura insuficiente dos vícios de construção pelas seguradoras”.

“O Conjunto Muribeca traduz uma situação isolada, pois envolve condições inadequadas do terreno dos prédios aliadas à realização de obras irregulares por seus moradores. Essa situação já vem sendo tratada pela própria Caixa Econômica Federal de maneira diferenciada e encontra-se em estudo um Projeto para solução definitiva do problema”, diz. Dessa forma, continua, a situação não poderia ser usada como exemplo.

ANA POMPEU
BRASÍLIA

FONTE:
https://www.jota.info/paywall?redirect_to=//www.jota.info/stf/do-supremo/discussao-no-stf-sobre-seguro-habitacional-pode-impactar-caixa-em-r-300-bilhoes-16122019

MCH Ceará
Coordenador: Ananias Ferreira
Conselho Político: Olani Morais.
Jornalista Responsável:
Paulo Sérgio Cordeiro


segunda-feira, 25 de janeiro de 2016

A CONTINUIDADE

Moradia é um direito humano
O qual deve ser preservado,
Vivendo-se com dignidade
Independente da nacionalidade.
Mas infelizmente, ainda não é assegurado
Esse direito pelo Estado,
Na vida, no dia a dia,
Tendo-se sempre que ir à luta
Ou do contrário, não se conquistaria.

Descobrindo o nosso valor,
È sinal de sabedoria.

Com sabedoria adquirida
Outras lutas serão travadas
No contexto de melhorias.
Juntos seremos fortes,
Unidos seremos imbatíveis
Nas conquistas sociais.
Trazendo para a comunidade
Os direitos por iguais
Sem usufruir de regalias.

Hoje passa a ser uma “realidade”
A conquista da moradia,
Beneficiando-se a quem precisa.
Impacto esse positivo
Trazendo conscientização,
Ainda que tardia.
Capacitando a comunidade
Independente da localidade
Onde consciência quase não existia.
Na luta do MCH
Ainda vamos continuar,
Incentivando a conquista da moradia
Sem em armas precisar pegar.


Autor: Ananias Alves Ferreira

O COMEÇO

LUTA POPULAR DO MLCH

Quando o despejo ameaçou,
A comunidade se organizou,
Sua força mostrou.
A sede da AMCOSC em mutirão se levantou,
A FECECE a outras comunidades nos apresentou,
A Federação de bairros e favelas participou,
Indignação o CDPDH manifestou.
Os conjuntos habitacionais o MLCH criou,
O conjunto são Cristóvão foi quem sediou,
A irmandade aumentou.
Planilha de custo de uma casa o GREET elaborou,
2.960 reais foi o que custou.
O roubo que a engenharia praticou,
O CREA descobriu e calou.
Na câmara e na assembleia o povo se manifestou,
Na procuradoria e na justiça também passou,
O juizado especial nem ligou
Os processos que o MLCH impetrou.
Auditoria interna comprovou
O roubo que a Caixa e as construtoras levaram
O DECON não encaminhou.
O despejo começou,
A Associação dos mutuários não calou,
Uma ação civil pública organizou,
A união das comunidades lutou.
O centro dos socialmente discriminados apoiou,
O CEARAH periferia acertou,
Com o curso de planejamento reforçou.
E as outras organizações ao MLCH apresentou
O CCFD um projeto aprovou.
A escola de informática alegrou,
A população participou,
Em cima das casas bandeiras do MLCH colocou.
A OXFAM observou,
Com assessoria jurídica nos contemplou.
A associação dos moradores do Palmeiras nos orientou
A administrar o recurso que chegou.
Com a economia nos gastos do projeto,
A Kombi belezura se comprou.
Com o som em cima dela vimos seu valor.
Muita ação da Caixa se barrou,
Mas a lei não assegurou,
O despejo continuou.
A ONU uma carta para os juízes mandou,
Solicitando que suspendessem esse horror.
O povo não parou,
Uma poupança solidária iniciou,
Em frente das casas de famílias despejadas acampou,
Na marra o retorno se conquistou.
Irmão lá de fora nos visitou:
Inglês, francês, italiano, espanhol,
Alemão, jamaicano, argentino, chileno, africano,
E outros de nações que não citamos,
O MLCH estava crescendo,
Reuniões semanais acontecendo,
Moradores de vários conjuntos querendo,
O carro de som indo e chamando,
A participação aumentando,
E com recurso da comunidade
Construímos sem vaidades
Mais uma obra na cidade,
A rádio caldeirão de verdade.
Este nome que foi dado
É de um movimento comunitário,
Movimento de libertação.
Era povo miserável antes da sua organização,
E o estado com sua preocupação
Com aviões bombardeou o povo do caldeirão,
Para acabar com o anseio de libertação.
No MLCH aprendendo estávamos,
Descobrindo nosso valor,
Caminhávamos todos juntos
Nos defendendo do horror.
Mas a campanha eleitoral chegou,
Alguém se projetou
Prometendo a solução,
Tirando das nossas mãos,
Iludindo-nos com a ilusão
De que nas câmaras do estado
É onde está a solução.
Lembro o passado com saudade,
Mas sem vaidade
Não valorizo personalidades,
Somente organização.
Não quero elevar ninguém ao status de patrão,
Quero ver o povo organizado, projetando sua ação.
Essa história pra mim é boa
Porque pode ser contada,
Em nenhum momento dela
Necessita ser cortada.
Termino este relato
Com um agradecimento
A todos que participaram
Comigo nesse momento,
Que para mim
Espiritual foi o crescimento.


AMCOSC – Associação dos Moradores do Conjunto São Cristóvão.
CCFD – Comitê Católico Contra a Fome Pelo Desenvolvimento.
CDPDH – Centro de Defesa e Promoção dos Direitos Humanos.
CREA – Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura.
CEARAH Periferia.
DECON – Defesa do Consumidor.
FECECE – Federação das Associações Comunitárias  do Ceará.
GREET – Grupo de Intercâmbio Tecnológico.
MLCH – Movimento de Luta dos Conjuntos Habitacionais.
ONU – Organização das Nações Unidas.
OXFAM – OXFORD para Cooperação / Associação Recife.

Autor: Reginaldo Pereira de Figueiredo
Transcrito do livro: Vida Contínua  (outubro/2002).


­­­---------oi o crescimento.
------ndo sua aç


quarta-feira, 12 de junho de 2013

REGULARIZAÇÃO 1

ESCRITURAS
Regularização de 22,8 mil  imóveis da Cohab
11.06.2013
Após mais de uma década, 22.877 famílias que moram em situação irregular, em imóveis construídos pela Cohab (Companhia de Habitação do Ceará) terão a regularização das escrituras da residência concluídas. É o que afirma o secretário Eduardo Diogo, do Planejamento e Gestão, após reunião, ontem, com o governador Cid Gomes e o prefeito de Fortaleza Roberto Cláudio. Ao todo, cerca de 47.181 famílias ainda estão sem os devidos registros atualizados nos cartórios de notas e títulos no Ceará.
As ações foram anunciadas após reunião entre Cid Gomes, Roberto Cláudio e o secretário de Planejamento e Gestão do Estado, Eduardo Diogo Foto: Tuno vieira
De acordo com o secretário, no dia 30 julho próximo, na Arena Castelão, o governador irá anunciar o programa ´Papel da Casa´, que tem o objetivo de organizar um chamamento para que os moradores apresentem contratos de compra firmados e outros de tipos de documentos que servirão para a regularização de propriedade do imóvel.
"Neste primeiro momento, 22.877 famílias serão beneficiadas com o programa. Vamos tomar todas as providências e fazer uma mobilização para direcionar as famílias as secretarias regionais, onde terão que apresentar os documentos necessários. Iremos fazer essa comprovação dos imóveis e, posteriomente, concluir o processo". O intuito é que essa fase dure de quatro a oito semanas, conta Diogo.
Conforme o secretário, o processo de regulamentação da escritura será uma ação conjunta e terá etapas que envolverão o governo, a Prefeitura e os cartórios de registros de imóveis. "A prefeitura irá equacionar todas as questões de débito do Imposto Predial e Territorial Urbano e Imposto de Transmissão de Bens Imóveis. O Tribunal de Justiça vai cuidar da redução das custas cartorárias para o emolumento das emissões dos registros. E, para concluir, o Governo ficará encarregado de dar as escrituras públicas para as famílias".
Além disso, outras 2.007 famílias, que também estão em situação irregular no Planalto das Goiabeiras e no bairro João Paulo II, também serão beneficiadas nesta primeira fase.

Segunda etapa
Após a finalização desta parte, o programa ainda visa começar a resolver as questões de mais 22.297 casas erguidas em regime de mutirão.
"Em paralelo ao andamento do programa, realizaremos reuniões dos imóveis que ainda não tem a escritura de suas casas e, assim regularizar sua situação", declarou Diogo.
A proposta do secretário é regularizar todos os mutuários que se encontram em situação indevida até o fim de 2013. "Com a finalização de todos as etapas, iremos caminhar para a totalização de todos os processos feitos pela Cohab."
 

Fonte: Diário do Nordeste